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Ivi Mesquita

  • Foto do escritor: Revista Beauté
    Revista Beauté
  • 18 de fev.
  • 7 min de leitura

Ivi Mesquita, a trajetória de uma artista que fez da avenida um espaço de expressão, identidade e permanência.

Empresária, artista da dança, performer e uma das figuras mais marcantes do Carnaval paulistano, Ivi Mesquita carrega o samba como herança, destino e ato político. Filha de Dona Rita, líder

comunitária e referência de força e vitalidade na zona leste de São

Paulo, Ivi herdou da mãe o amor pelo samba, pela família e pelo

trabalho coletivo. Nascida no Ipiranga e criada em Itaquera, foi iniciada no Carnaval ainda criança, desfilando desde os nove anos como destaque da tradicional Ala Afro 2 da Leandro de Itaquera, um

grupo pioneiro na valorização da dança afro dentro da escola e que, fundado por sua mãe, hoje é administrado por ela e soma mais de 35 anos de atuação cultural.

Com quase 30 anos de avenida, Ivi construiu uma trajetória que atravessa gerações e transforma presença em linguagem. Descoberta pelo mestre de bateria Tadeu aos 17 anos, estreou em

1997 no Vai-Vai, escola onde iniciou uma carreira meteórica. Foi Primeira Princesa do Carnaval em 1998 e 1999 e protagonizou performances que romperam padrões, como a inesquecível “Mulher

Gato”. Em 1999, foi apontada por Milton Cunha como “performática,

vibrante, impossível de passar despercebida”, tornando-se a grande sensação do Carnaval paulistano. Em 2001, foi eleita Rainha do

Carnaval de São Paulo e, em 2008 e 2009, Rainha de Bateria do Vai-Vai. Há seis anos, também brilha como destaque da Unidos de

Vila Isabel, no Rio de Janeiro.

No fim de 2025, Ivi viveu um feito simbólico e raro para quem conhece a intensidade da avenida. Encerrou o ano com as fantasias do Carnaval 2026 prontas, embaladas e guardadas. Após mais de

26 anos de desfiles, inicia o novo ciclo sem a tradicional correria das vésperas, um verdadeiro privilégio. Os figurinos, assinados pelo

estilista Marcos Januário, respeitam sua identidade artística e representam um novo tempo em sua relação com o Carnaval.

“Desta vez, realizei um sonho antigo: não precisar me preocupar com fantasias, provas e ajustes às vésperas do desfile”, afirma.

Formada em Comunicação e Artes do Corpo pela PUC-SP, Ivi sempre entendeu o samba como performance total: corpo, gesto, narrativa e ancestralidade. Transita com autenticidade entre o samba, a dança afro, o hip hop e outras influências culturais, fazendo da avenida um espaço de expressão e afirmação. Mulher negra da geração 40+, enfrenta o etarismo e as estruturas

excludentes ainda presentes no samba, transformando sua permanência em resistência, empoderamento e inspiração.

Essa relação profunda com o samba também se estende aos

espaços simbólicos da cidade. Ivi é colaboradora do Bar Brahma, um dos templos históricos do samba e da música brasileira no

coração de São Paulo, onde atua como anfitriã, artista e embaixadora da cultura carnavalesca. No espaço, promove encontros, ativações culturais e experiências que aproximam o público da verdadeira essência do samba, reforçando o Bar Brahma como ponto de encontro entre tradição, celebração e identidade

popular.

Ao longo da carreira, expandiu sua atuação para além da avenida

sem jamais se afastar dela. Há 26 anos à frente da MIM Produções,

realiza eventos sociais e corporativos com forte identidade brasileira e elementos do Carnaval. Criou também um projeto artístico-social

a partir de seu próprio acervo de fantasias, promovendo exposições, encontros e desfiles que celebram corpos plurais,

memória, ancestralidade e a presença feminina no Carnaval

paulistano, dando voz a quem historicamente foi silenciado.

Reconhecida também na publicidade, na moda e em projetos culturais, Ivi segue reafirmando o Carnaval como território de arte,

política, pertencimento e futuro. Com carisma, presença cênica e propósito, ela continua fazendo história na avenida, agora com mais

tempo, consciência e maturidade, provando que o samba não é só espetáculo: é legado.

Nos preparativos para o Carnaval 2026, Ivi contou com a parceria

da dupla Aramis e Freitas que, junto com o salão Lalaconté Barrashopping assinaram as produções para os ensaios técnicos e para o ensaio

que acabou se tornando capa da Revista Beauté.


ENTREVISTA


BEAUTÉ

O carnaval é um espaço de expressão, identidade e resistência. Pra você, qual a importância dessa manifestação cultural na sua vida e na cultura brasileira?



Ivi Mesquita

O Carnaval é herança ancestral africana e segue vivo porque nós,

pessoas negras, nunca deixamos essa história morrer. Há décadas fazemos essa manutenção com esforço, amor e pertencimento,

ocupando os espaços com nosso axé, nossa energia e nossas formas de existir minha vida, eu sou artista do Carnaval o ano inteiro. Eu

compartilho, estudo e vivo o Carnaval para além da avenida e é

essa cultura que me move, me educa e me faz feliz.

O Carnaval também educa. A cada ano, por meio de temas e enredos, aprendemos de forma lúdica sobre história, política,

ancestralidade, identidade e resistência. Não é à toa que temas do

Carnaval aparecem no ENEM e se tornam teses acadêmicas: ele é

conhecimento vivo.

Além disso, o Carnaval é espiritual. Ele conecta as pessoas com o

que há de mais divino dentro delas — pela música, pelo corpo, pelo

coletivo, pela fé e pela celebração da vida.

É essencial lembrar figuras como Tia Ciata, Madrinha Eunice,

Cartola, Nelson Sargento, Martinho da Vila, Paulo da Portela, Vovô

do Ilê e Dona Ivone Lara, a primeira mulher a assinar um samba-

enredo.

Eles representam resistência, identidade e a diversidade de corpos,

gêneros, idades, territórios e histórias que fazem do Carnaval o que

ele é hoje.

Eu sempre digo: não dá pra falar de Carnaval sem falar da sua

importância cultural, educativa, espiritual e histórica no Brasil.



BEAUTÉ

Sua trajetória no Carnaval é marcada por performance,

ousadia e representatividade. O que o Carnaval significa para você hoje?



IVI MESQUITA

O samba e o Carnaval são pretos. E isso não é só história, é a minha existência, a minha verdade é estar inteira, com toda a minha autenticidade, simplesmente existindo e ocupando, com o

meu corpo, espaços que sempre foram e continuam sendo de resistência e ousadia.

O Carnaval é o lugar onde entrego meu ser mais genuíno. É onde a arte pulsa, onde a ancestralidade se veste de brilho, onde cada

passo é memória e cada gesto é política. Ao longo dos anos, vi o Carnaval se transformar, mas também resistir, e é nesse movimento que a mulher negra reafirma seu lugar: não apenas como musa ou alegoria, mas como força criadora, liderança e potência.

Para mim, o Carnaval é mais que festa: é ato, é voz, é território. É a avenida onde eu celebro quem sou e, ao mesmo tempo, luto para que os meus sejam sempre vistos, respeitados e lembrados.



BEAUTÉ

Hoje, com as redes sociais seus vídeos viralizaram,

todos te conhecem, mas como foi o seu começo, em uma época em que a notícia era totalmente diferente, o alcance era infinitamente menor?



IVI MESQUITA

Meu começo no samba foi com muito respeito e muito chão, lá na

Leandro de Itaquera, no bairro onde eu morava. Em 1997, aos 17

anos, chego ao Vai-Vai. Em nenhuma das duas escolas participei

de ala de passistas, eu já era destaque de ala de passo marcado,

então eu dançava, atravessava o sambódromo dançando.

Quando chego ao Vai-Vai, sou convidada a representar a escola no

maior concurso de beleza e samba no pé, o Concurso da Corte do

Carnaval. Fui eleita Primeira Princesa do Carnaval Paulistano em

1998, repeti o feito em 1999 e, em 2001, me consagrei Rainha do

Carnaval de São Paulo.

Eu acabei “pulando etapas” porque já vinha de uma formação

artística e performática, o que me levou a me tornar destaque em

diferentes agremiações. Sempre aprendendo com quem veio antes

de mim, observando, treinando e vivendo o samba de dentro pra

fora.

Os vídeos virais chegaram agora, mas essa estrada é feita de

muitos anos de entrega, amor e constância no samba.

Beauty. Vamos falar de etarismo. Como você lida com os

preconceitos no mundo do samba?

Estar presente é, por si só, um ato político, especialmente para

nós, mulheres que desafiamos o etarismo. No samba, minha

presença é resistência: é marcar território com o corpo em

movimento, com voz e com história.

Às mulheres, especialmente às que se parecem comigo, deixo uma

mensagem: não deixem de fazer o que amam ou sonham.

Procurem meios de estar onde desejam, sem medo de ocupar

espaços. Mantenham-se atentas ao novo, abertas a novas

linguagens e próximas das novas gerações. Isso renova, traz

frescor à forma de se comunicar, mas não significa perder a sua

essência.

Resistir também é se adaptar, é dançar entre o passado e o

presente, carregando consigo a potência de quem sabe de onde

veio e para onde quer ir.



BEAUTÉ

O que você espera para esse Carnaval de 2026?



IVI MESQUITA

“Depois de quase 30 anos de Carnaval, aprendi que vencer começa muito antes da avenida. O Carnaval 2026 pede presença,

concentração e verdade. Estou vivendo um tempo em que cada trabalho carrega propósito, responsabilidade e temas urgentes.

Quero atravessar a passarela inteira com proteção, consciência, paz interior e a sensação de missão cumprida. O resultado é

consequência, mas, se for pra sonhar, que seja grande: que amor, entrega e vitória caminhem juntos. E que, no final, eu possa gritar:

CAMPEÃ.”

Ivi Mesquita - foto e beleza Beauty Aramis e Freitas

Ivi Mesquita - foto e beleza Beauty Aramis e Freitas

Ivi Mesquita - foto e beleza Beauty Aramis e Freitas

Ivi Mesquita - foto e beleza Beauty Aramis e Freitas

Ivi Mesquita - foto e beleza Beauty Aramis e Freitas

Ivi Mesquita - foto e beleza Beauty Aramis e Freitas

Ivi Mesquita - foto e beleza Beauty Aramis e Freitas



Bastidores

Freitas, Ivi Mesquita e Aramis - LALACONTÉ Barrashopping



Créditos


Capa Beauté - Ivi Mesquita


Beleza - Beauty Aramis e Freitas


Fotos - Beauty Aramis e Freitas


Figurinista - Marcos Januário


Assessoria - Alessandra Dayrell


Agradecimentos especiais - Lalaconté Barrashopping




©2021 por BEAUTÉ Aramis & Freitas

 
 
 

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